IVSebramus

02-09-2018

 APRESENTAÇÃO “Continuam, os profissionais de museus, falando apenas de si mesmos e para si mesmos? Que reconhecimento têm eles da sociedade? No universo de trabalhadores, como nos situamos e agimos?”. Com esses questionamentos, a museóloga WaldisaRússio problematizou, em 1989, a função dos museus e a ação política de seus agentes em um período em que grande parte das práticas museológicas e de ensino da Museologia se sustentava em discursos conservadores e, por vezes, antidemocráticos. Exatamente trinta anos depois, essas perguntas ainda continuam apropriadas para traduzir o lugar dos museus e do ensino dos processos museológicos em um mundo marcado pela polarização de posicionamentos políticos, por intolerâncias diversas e pela crescente precarização dos direitos sociais. Observa-se que alguns dos aspectos supostamente consolidados da jovem democracia brasileira e latino-americana novamente estão sob ameaça. Na década de 1970, quando os países latino-americanos estavam sob a égide dos regimes ditatoriais, o campo da Museologia, impactado pela crítica dos movimentos sociais, movimentos de contracultura e por diferentes discursos de descolonização, apresentou como resposta as reflexões da Mesa Redonda de Santiago sobre o papel social dos museus. Uma das propostas contemplava a criação de uma Associação Latino-Americana de Museologia visando a articulação de diferentes iniciativas que evidenciavam a integralidade do patrimônio e a potência política de múltiplas experiências museológicas. No contexto brasileiro, o campo dos museus e da Museologia evidenciou profundas transformações a partir do processo de redemocratização, especialmente em virtude dos impactos das discussões sobre a diversidade cultural, o poder da memória e os direitos e as liberdades fundamentais inscritos na Constituição Federal de 1988. Temáticas como o reconhecimento dos saberes das populações tradicionais; o tombamento de bens até então não-consagrados e o registro do patrimônio imaterial; e os debates sobre novos direitos sociais e políticos; contribuíram para a ampliação dos estudos das interseccionalidades de gênero, classe, raça e sexualidade.  A partir dessas transformações pautadas no exercício da diferença, houve um movimento coletivo e de alcance internacional impactando a discussão sobre processos museais populares e comunitários. Em sequência, tentou-se delinear os contornos epistêmicos dessas experiências que contribuíram para que o Brasil se tornasse um dos principais laboratórios de articulação... Leia Mais